O que Roland Garros Júnior 2026 nos ensina sobre crianças que vencem pela persistência
Três brasileiros nas quartas de final em Paris. O que a jornada desses jovens tenistas revela sobre como crianças que aprendem diferente podem surpreender o mundo.

Você já reparou que a semana começa com uma notícia que você não esperava — e ela diz tudo sobre o que você está tentando fazer pelo seu filho há meses?
Hoje é sexta-feira, 6 de junho de 2026, e o Brasil fez história em Roland Garros.
Três jovens tenistas brasileiros chegaram às quartas de final do torneio juvenil em Paris. Luis Guto Miguel, de 17 anos e número 4 do ranking mundial juvenil, avançou até a semifinal. Eduarda Gomes, de apenas 13 anos, venceu o Roland Garros Junior Series em São Paulo meses atrás e garantiu sua vaga no Grand Slam como a mais jovem da história do torneio brasileiro. Victoria se tornou a primeira brasileira a chegar às quartas em Paris em 39 anos.
Mas sabe o que esses três têm em comum, além da raquete e do saibro vermelho?
Anos de manhãs cedo. Bolas que não foram onde queriam. Dias em que a quadra parecia grande demais. E a decisão — repetida toda semana — de aparecer de novo.
O que o esporte tem a ver com o seu filho
Você pode estar pensando: "Meu filho não joga tênis. O que isso tem a ver com a lição de casa que virou batalha toda tarde?"
Tudo.
Porque o que leva um jovem de 13 anos a competir em Paris não é talento. É estrutura. É rotina. É um sistema que divide uma meta enorme — ganhar um Grand Slam — em pequenos passos que aparecem todo dia na quadra.
E essa estrutura é exatamente o que crianças com dislexia, TDAH, discalculia ou outras dificuldades de aprendizagem precisam para avançar — na escola, nas relações, na vida.
Persistência não é força de vontade
Aqui está o que muitos pais não sabem: persistência não é uma qualidade que a criança tem ou não tem. É uma habilidade que se aprende quando o ambiente certo está ao redor dela.
Eduarda Gomes não acorda aos 13 anos com motivação infinita. Ela acorda porque há um treinador, um horário, um plano e um objetivo claro na parede. O ambiente faz o trabalho que a vontade não consegue fazer sozinha.
Para crianças com TDAH, isso é especialmente verdadeiro. O cérebro com TDAH responde de forma diferente a recompensas distantes no tempo — uma prova daqui a três semanas parece abstrata demais para gerar motivação agora. Mas uma tarefa pequena, com feedback imediato, funciona muito melhor.
O tênis — e qualquer esporte com progressão clara — tem isso embutido: você treina um movimento, acerta, sente a diferença, tenta de novo. A recompensa é imediata e visível.
Na aprendizagem, podemos criar o mesmo efeito.
Como criar esse ambiente em casa
Não precisa de quadra de saibro. Precisa de estrutura.
Divida a meta em etapas que caibam hoje. Em vez de "você precisa aprender a tabuada", tente "hoje vamos só treinar o 3 e o 4". Pequeno o suficiente para começar. Grande o suficiente para importar.
Torne o progresso visível. Um calendário na parede onde a criança risca cada dia que completou o que foi combinado funciona melhor do que elogios abstratos. Ela precisa ver o próprio avanço.
Celebre a tentativa, não só o acerto. Luis Guto Miguel perdeu centenas de partidas antes de chegar à semifinal de Roland Garros. Cada derrota foi uma informação, não um fracasso. Quando seu filho erra, a pergunta não é "por que você não acertou?" — é "o que a gente aprendeu hoje?"
Crie um ritual de início. Crianças com dislexia e TDAH têm mais dificuldade de começar do que de continuar. Um ritual fixo — mesmo horário, mesmo lugar, mesma sequência — reduz a energia gasta na decisão de começar e deixa mais energia para aprender.
O que os tenistas de 13 anos não precisam que você faça
Não precisam que você resolva por eles.
Um dos erros mais comuns que pais de crianças com dificuldades de aprendizagem cometem — com todo o amor do mundo — é remover o obstáculo antes que a criança tente. A frustração é parte do processo. Tolerá-la, em doses pequenas e seguras, é o que desenvolve resiliência.
Seu papel não é que o caminho seja fácil. É que a criança saiba que você vai estar lá quando ela voltar da quadra — independente do placar.
Se quiser aprofundar essa conversa sobre como apoiar a autoestima do seu filho nesse processo, o artigo Como melhorar a autoestima de crianças com dificuldades de aprendizagem traz estratégias práticas para o dia a dia.
E se seu filho está no momento em que a motivação está no chão, pode ser útil ler também Como conversar com seu filho sobre as dificuldades de aprendizagem — porque às vezes o primeiro passo é simplesmente a conversa certa.
Uma última coisa
Três brasileiros nas quartas de final de Roland Garros juvenil em Paris, em 2026. A última vez que o Brasil chegou tão longe foi em 1987.
Trinta e nove anos de tentativa. De crianças que apareceram na quadra mesmo quando o placar não estava do seu lado.
Seu filho está nesse processo agora. Pode parecer que ele está longe demais do Grand Slam. Mas ele está exatamente onde precisa estar para um dia surpreender todo mundo — incluindo ele mesmo.
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Equipe Larissa
Time de especialistas em educação inclusiva e tecnologia assistiva dedicado a apoiar famílias de crianças que aprendem diferente.