Meu filho tem dificuldade de aprendizagem: quando buscar diagnóstico?

Sinais de alerta por faixa etária, diferença entre dislexia e TDAH, quais profissionais procurar e o que esperar do processo de diagnóstico. Um guia honesto para pais.

6 de junho de 2026·~5 min de leitura·por Equipe Larissa
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Pai e mãe conversando com profissional de saúde enquanto criança brinca ao fundo, ilustração flat em tons de verde e bege

Você já está prestando atenção. Isso já é muito.

Porque a maioria dos casos de dislexia, TDAH e discalculia não é identificada pela escola — é identificada por pais que perceberam que algo estava diferente e não deixaram para depois.

A dúvida que traz você até esse artigo — "meu filho tem dificuldade de aprendizagem, o que faço?" — é o começo do processo. E o processo tem passos concretos.

Primeiro: o que é normal e o que é sinal de alerta

Toda criança enfrenta dificuldades de aprendizagem em algum momento. Aprender a ler, a escrever, a fazer contas é genuinamente difícil. A questão não é "meu filho errou" — é "esse padrão de dificuldade é consistente, desproporcional e não melhora com o tempo."

Aqui estão os sinais de alerta por faixa etária:

3 a 5 anos (pré-escola)

  • Dificuldade em memorizar músicas, rimas e nomes de objetos
  • Demora para aprender sequências simples (dias da semana, cores)
  • Fala que se desenvolve mais lentamente do que outras crianças da mesma idade
  • Dificuldade em prestar atenção em histórias ou brincar com a mesma coisa por mais de poucos minutos (TDAH)
  • Hiperatividade claramente fora do padrão mesmo para a faixa etária

6 a 8 anos (início do letramento)

  • Dificuldade persistente em associar letras a sons após meses de ensino
  • Inversão frequente de letras (b/d, p/q) além do período esperado
  • Leitura muito lenta ou silabada mesmo com prática regular
  • Dificuldade em copiar do quadro corretamente
  • Esquecimento frequente do que foi ensinado no dia anterior
  • Dificuldade em manter atenção na aula ou terminar atividades (TDAH)

9 a 12 anos

  • Leitura que ainda não é fluente
  • Ortografia muito inconsistente, com erros fonológicos persistentes
  • Dificuldade em organizar pensamentos por escrito mesmo tendo as ideias
  • Muita dificuldade com matemática (contas básicas, tabuada) desproporcional ao esforço
  • Desempenho oral muito melhor do que escrito — o conhecimento está lá, mas a execução escrita não vem

12 anos em diante

Dislexia e TDAH não desaparecem na adolescência. Eles se manifestam de formas diferentes: dificuldade em organizar trabalhos longos, em gerenciar tempo, em manter foco em aulas longas, em procrastinação intensa. O artigo TDAH na adolescência: o que muda e como apoiar aprofunda essa fase.

Dislexia, TDAH ou os dois?

Essa é uma das confusões mais comuns — e faz sentido, porque os sintomas se sobrepõem.

Dislexia afeta principalmente leitura e escrita. A criança lê com dificuldade, erra na ortografia de formas consistentes (troca fonemas, omite sílabas, inverte letras) e tem dificuldade em decodificar palavras novas. A inteligência é preservada — ela entende os conteúdos quando alguém lê para ela.

TDAH afeta principalmente atenção, controle de impulsos e regulação do comportamento. A dificuldade escolar vem da incapacidade de manter foco — não de não entender. A criança sabe a matéria quando consegue se concentrar.

Comorbidade: 30% a 50% das crianças com dislexia também têm TDAH, e vice-versa. Isso não é coincidência — há sobreposição neurobiológica entre as duas condições. Se seu filho tem sinais dos dois lados, o processo de avaliação precisa investigar ambos.

Há ainda a discalculia — dificuldade específica em matemática — que frequentemente aparece junto com a dislexia. Se você ainda não leu sobre ela, O que é discalculia e como apoiar uma criança com dificuldade em matemática explica os sinais e as abordagens.

Quais profissionais procurar

Essa é a parte que mais confunde os pais — porque não existe um único profissional que faz tudo.

Para investigar dislexia:

  • Fonoaudiólogo: avalia consciência fonológica, leitura e escrita — a base do diagnóstico de dislexia
  • Psicopedagogo: avalia habilidades acadêmicas e identifica padrões de dificuldade de aprendizagem
  • Neuropsicólogo: faz avaliação cognitiva completa, especialmente útil quando há suspeita de múltiplas condições

Para investigar TDAH:

  • Neuropediatra: avalia aspectos neurológicos e pode prescrever medicação se necessário
  • Psiquiatra infantil: diagnóstico e tratamento de TDAH com foco em saúde mental
  • Neuropsicólogo: aplica baterias de testes para avaliar atenção, memória de trabalho e funções executivas

Por onde começar: Se você não sabe por onde começar, o pediatra do seu filho é o primeiro passo. Ele pode fazer um screening inicial e encaminhar para os especialistas certos. Em muitas cidades, a rede pública oferece avaliações via CAPS infantil ou CAPSi — vale pesquisar o que está disponível na sua região.

O que esperar do processo

O processo de diagnóstico costuma ter estas etapas:

1. Anamnese: conversa detalhada sobre a história da criança — desenvolvimento, escola, família, gestação, marcos de desenvolvimento. Normalmente feita com os pais.

2. Avaliação pedagógica: análise de cadernos, provas, atividades escolares. Pode ser feita pela escola ou por profissional externo.

3. Testes padronizados: baterias de avaliação específicas para leitura, escrita, atenção, memória, raciocínio — aplicadas em sessões individuais com a criança.

4. Relatório: documento com os achados, o diagnóstico (quando aplicável) e as recomendações de intervenção.

O processo completo pode levar de 2 a 6 meses, dependendo dos profissionais disponíveis e da complexidade do caso. É tempo, mas é investimento.

Enquanto o diagnóstico não chega

Aqui está algo importante: você não precisa esperar pelo diagnóstico para começar a ajudar seu filho.

Adaptações simples em casa — leitura em voz alta, uso de audiobooks, divisão de tarefas em etapas menores, tempo extra para completar atividades — fazem diferença real desde já.

E desde dezembro de 2025, o Decreto nº 12.773 garante que as escolas podem (e devem) oferecer suporte pedagógico com base em avaliação pedagógica, sem exigir laudo médico. Vale conversar com a escola sobre isso.

O diagnóstico não é um rótulo — é um mapa. Ele diz onde estão as dificuldades específicas e, mais importante, onde estão os pontos de entrada para a intervenção certa.

Quando ele chegar, você vai saber exatamente o que fazer.

Conheça a Larissa — uma plataforma criada para apoiar crianças com dislexia, TDAH e discalculia enquanto a família constrói o suporte certo ao redor delas.

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