Copa do Mundo 2026: o que João Pedro nos ensina sobre crianças que aprendem fora do padrão

Com a convocação da Seleção se aproximando, João Pedro virou assunto. Mas a história dele tem algo que toda família de criança que aprende diferente precisa ouvir.

9 de maio de 2026·~4 min de leitura·por Equipe Larissa
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Criança chutando bola em campo aberto com expressão determinada e feliz

O Brasil inteiro está de olho no dia 18 de maio. É quando a lista de convocados para a Copa do Mundo 2026 será divulgada — e o nome de João Pedro, atacante do Chelsea, está em todos os debates.

Mas enquanto torcedores discutem escalação, você pode estar pensando em outra coisa: no seu filho que chegou da escola com a mochila cheia de deveres, uma nota vermelha na mochila, e aquele olhar de quem já desistiu antes de começar.

Deixa eu conectar esses dois cenários. Porque têm mais coisas em comum do que parece.

A escola mede um tipo de inteligência. Só um.

O psicólogo Howard Gardner passou décadas estudando como humanos aprendem e chegou a uma conclusão inconveniente para o sistema escolar: inteligência não é uma coisa só.

Existem pelo menos oito tipos distintos de inteligência — linguística, lógico-matemática, espacial, corporal-cinestésica, musical, interpessoal, intrapessoal e naturalista. A escola tradicional avalia, basicamente, as duas primeiras. O resto? Raramente aparece no boletim.

Isso significa que uma criança com inteligência corporal-cinestésica excepcional — aquela que aprende fazendo, que tem coordenação fora do comum, que processa o mundo pelo movimento — pode ser tratada como "problema" na sala de aula e ser campeã fora dela.

O que isso tem a ver com o seu filho

Se você tem uma criança com dislexia, TDAH, discalculia ou qualquer dificuldade de aprendizagem, provavelmente já sentiu o peso de um sistema que mede apenas uma coisa e classifica todo o resto como déficit.

A nota vermelha em português não conta a capacidade do seu filho de montar qualquer coisa que aparece na frente dele. O boletim ruim em matemática não registra como ele lembra cada detalhe de cada jogo que assistiu. A dificuldade com leitura não apaga a forma como ele resolve conflitos entre colegas de um jeito que adultos levam anos para aprender.

Essas capacidades são reais. São mensuráveis. E são frequentemente invisíveis para um sistema que só olha para um lado.

Se você ainda não identificou onde estão as forças do seu filho, vale ler como conversar com ele sobre as dificuldades de aprendizagem — muitas vezes é nessa conversa que os talentos aparecem, disfarçados de "coisa que eu gosto de fazer".

O perigo de só enxergar o que falta

Existe um risco real em famílias que vivem no modo crise: tanta energia vai para corrigir o que não funciona que o que funciona nunca recebe atenção.

A criança aprende, aos poucos, que ela é definida pelas suas dificuldades. Que o que importa para os adultos ao redor é o que ela não consegue — não o que ela consegue extraordinariamente bem.

Isso cobra um preço alto na autoestima. E autoestima baixa, em crianças com NEE, não é só questão emocional — ela afeta diretamente o desempenho acadêmico, a disposição para tentar de novo depois de errar, e a capacidade de pedir ajuda quando precisa.

Temos um artigo inteiro sobre isso: como melhorar a autoestima de crianças com dificuldades de aprendizagem. É uma leitura que vale muito se você percebe que seu filho está se recolhendo.

Duas coisas podem ser verdade ao mesmo tempo

Seu filho pode ter dislexia e ter um talento espacial que a escola nunca vai medir.

Seu filho pode ter TDAH e ter uma capacidade de hiperfoco em algo que ama que deixaria qualquer adulto com inveja.

Seu filho pode ter dificuldade com números e ter uma inteligência interpessoal que faz todo mundo ao redor se sentir visto e compreendido.

Apoiar as dificuldades e cultivar os talentos não são tarefas concorrentes. São as duas metades do trabalho.

Copa do Mundo como desculpa para uma conversa

Com o Brasil inteiro falando de futebol nas próximas semanas, você tem uma abertura natural para uma conversa diferente com seu filho.

Não sobre notas. Não sobre o que precisa melhorar.

Sobre o que ele ama. O que ele faz bem. O que ele escolheria fazer se pudesse passar o dia inteiro nisso.

Essa conversa, simples como parece, é uma das ferramentas mais poderosas que existem para crianças que aprendem diferente. E a Copa — com toda a emoção, os ídolos, as histórias de superação — é um contexto que ele já está animado para entrar.

Aproveite.


Se você ainda não sabe ao certo se o que seu filho apresenta é dislexia, TDAH ou outra dificuldade específica, um bom ponto de partida é entender como identificar dislexia no seu filho — um dos conteúdos mais acessados do blog. E se a tecnologia pode ser uma aliada nesse caminho, veja nosso guia sobre tecnologia assistiva para crianças com NEE.

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Equipe Larissa

Time de especialistas em educação inclusiva e tecnologia assistiva dedicado a apoiar famílias de crianças que aprendem diferente.

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